Feminismo(s)

O Coletivo Vivas é um espaço de discussões, desabafos e estudos. Sempre conversamos muito sobre os assuntos que, dentro das temáticas do feminismo, fazem sentido para a gente e nos representa. No entanto, neste ano, começamos a estudar um pouco sobre o feminismo negro, pauta que discute vivências que não necessariamente todas nós experenciamos, mas não deixa de ser fundamental para o nosso crescimento como coletivo e indivíduos. Para este estudo lemos duas obras da Djamila Ribeiro, “Feminismo negro para um novo marco civilizatório” e “O que é lugar de fala”. A partir da leitura destes textos, encontramos uma citação que nos impactou e despertou o interesse inicial para a realização deste trabalho.

 

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“Aquele homem ali diz que é preciso ajudar as mulheres a subir numa carruagem, que é preciso carregá-las quando atravessam um lamaçal e que elas devem ocupar sempre os melhores lugares. Nunca ninguém me ajuda a subir numa carruagem, a passar por cima da lama ou me cede o melhor lugar! E não sou uma mulher?”

(TRUTH, Sojounerner. “E eu não sou uma mulher?” - 1851)

 

Através desta passagem, começamos a discutir sobre como um único feminismo não abrange a luta de todas as mulheres, uma vez que não somos iguais, possuímos vidas, condições e características diferentes. E é exatamente isso que o trabalho “Feminismo(s)” abordará: experiências e vivências de mulheres diversas entre si, nos mostrando que “ser mulher” não necessariamente é uma caixinha única e igual à todas.

 

Não é possível ter uma luta singular para mulheres plurais.

 

Queríamos trazer algo mais interativo para nosso trabalho, algo para gerar uma reflexão. Sendo assim, escolhemos algumas frases de impacto que estão na parte da frente desses quadradinhos abaixo. Ao clicar neles você terá acesso ao depoimento da mulher, cujo o seu lugar social é referente a essa frase.

 

Para mais informações sobre o Coletivo Vivas, basta você ler o final da página. Bom aprendizado! 

A proposta te convida a refletir sobre como diversas realidades levam a diferentes vivências e, consequentemente, diferentes lugares de fala. Os depoimentos expostos enfatizam a diversidade existente no movimento feminista e como as diferentes abordagens são resultado da necessidade de representatividade que um único feminismo (no singular) não dá conta. Todos os preconceitos estruturais vigentes na nossa sociedade não são excludentes e, portanto, podem atuar de maneira conjunta, gerando uma desigualdade nos discursos e nas discriminações.

“De modo geral, diz-se que a mulher não é pensada a partir de si, mas em comparação ao homem. É como se ela se pusesse se opondo, fosse o outro do homem, aquela que não é homem. A filósofa francesa Simone de Beauvoir nos dá uma perspectiva interessante ao cunhar a categoria do Outro, em O segundo sexo, de 1949.”

 

“O que é lugar de fala?”, Djamila Ribeiro

A partir do trecho exposto, pode-se considerar que neste trabalho buscamos abordar a ideia de que há mulheres que ocupam o espaço de outro do outro. Sendo essas mulheres as quais compõem os grupos que são historicamente oprimidos e que abordam pautas que não podem ser generalizadas.  

 

Coletivo Vivas

O Coletivo Vivas surgiu em 2015 com a iniciativa de três alunas de buscar um espaço de discussões feministas. As reuniões se iniciaram com o questionamento “o que é feminismo?” e a cada ano o coletivo atuou de maneira diferente. Passamos pelo estudo e discussão de grandes temas, pela busca de identidade e fortalecimento do coletivo e pela expansão das nossas discussões para o resto da comunidade escolar, através de cartazes, encontros e apresentações na Imaginar-te. O nome “Vivas” surgiu só em 2018, inspirado na mobilização de mulheres na América Latina que usou a frase “Vivas nós queremos!” como parte dos protestos e no próprio nome da escola, Carandá Vivavida. Um dia depois da criação do nome, Marielle Franco foi assassinada por motivações políticas, reforçando ainda mais o significado do nome Vivas.